terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Impotente.


Eu pergunto ao vento o porque de te amar tanto assim e de mesmo sem razão continuar a querer-te do meu lado. Saber que não mereces metade do esforço, metade das lágrimas choradas, metade da força de vontade. Sinto uma necessidade imensa de escrever. Sentimentos que fazem o coração bater com mais força, mais rapidamente, sentimentos que eu julgava nunca mais voltar a sentir. Coisas que julgava nunca mais nelas pensar. Sentir-me inútil, sentir-me impotente. Senti-me como se não conseguisse ver nada como se tudo á minha volta fosse preto, escuro e sem sentido. E... e quando tento tocar em alguma coisa para tentar desvendar a sua composição. É como se não conseguisse sentir nada. É como se as minhas mãos estivessem dormentes e eu não conseguisse sentir. E esperava sentada não sei bem onde. Tentava ouvir, tentava saber se alguém se aproximava mas a única coisa que ouvia era o vento. Ouvia a chuva, ouvia pequenas gotas de água caírem sobre o solo. E levantava-me andando não sei bem onde nem em que rumo, a chuva continuava a cair e ninguém parecia percorrer o mesmo caminho que eu. Começava a sentir algo mais... Começava a sentir o vento soprar sobre mim e com a roupa molhada no meu corpo, sentia frio. Alguém me fez cair e eu começava a enxergar alguma coisa. Levantei-me e apesar de tonta caminhei um pouco encolhida para casa. Cheguei, tirei a roupa... Aqueci chá e sentei-me perto da lareira com uma manta a tapar-me. Mas a única coisa que me vêm á cabeça és tu. No silêncio que persiste nesta sala, és tu. A voz que oiço é a tua, mas não és tu quem sinto a meu lado. Sinto outro alguém, sinto alguém aconchegar-me á noite. Sinto alguém beijar o meu rosto .. Mas não és tu, e nesse momento . Choro , as lágrimas encharcam a minha almofada. Saiu da cama e sento-me em frente á lareira . Queimo coisas que me fazem lembrar de ti, mas mesmo assim és tu quem persiste no meu pensamento . Como eu queria voltar a cair, deixar de ver e sentir e ouvir apenas o som da chuva e do vento a acolherem-me na rua. Sinto que nem tu nem eu merecemos isto. E por vezes queria que a distância mental fosse igual ou superior aos km's que nos separam fisicamente. Toneladas de fotos tuas foram simplesmente apagadas ou mesmo queimadas. E eu tentava fingir ser feliz com aquele que tinha a meu lado. Eu nem sabia se pensavas em mim, mas a minha única vontade era deixar tudo e ir ao teu encontro. Mas o medo de ver que tinhas alguém era tanto, o medo de puder ver que estavas com alguém e nem pensavas mais em mim. Poderia simplesmente dizer que iria cortar os pulsos e deixar o sangue correr até já nada me correr nas veias. Mas um dia poderás precisar desse sangue, não entendo, não consigo entender como pode alguém ser tão viciante, não me deixar pensar em mais nada. Hoje faço tudo em tua função, e sei que não o devia fazer. Quantas noites passo sem dormir, e mesmo com um frio tremendo onde a chuva se confunde com o meu choro e o vento me deixa gelada eu permaneço com a janela aberta... E quantas vezes me aptecia pensar que era um pássaro e saltar. Voar dali, mas só iria cair. Mas a ânsia é tão grande, a ânsia de simplesmente estar sentada na rua á chuva e sentir as tua mãos reconfortarem-me, sentir os teus lábios em contacto com os meus e aquecerem-me, levar-te comigo para casa. Tirar a roupa molhada, fazer chá e sentar-me contigo á lareira, adormecer no teu colo e saber que ao acordar estarias lá para mim. Mas para quê iludir-me se posso nunca vir a viver este momento? Deixar de sentir e fazer com que deixes é uma opção mas eu sei que o meu pensamento serás sempre tu. É estranho, é invulgar e ao mesmo tempo tão estúpida a forma como me sinto . Sentir-te tão distante, tão estranho e não puder sequer pegar-te pelo braço, obrigar-te a olhares-me nos olhos e falares, Pedir que me contes o que se passa. É estúpida a forma como me sinto mais impotente do que quando um homem deseja ter um filho e é estéril . De como me sinto pior que um paralítico querer correr para alguém e não puder. Sentir que por vezes gostava de falar contigo mas é como se eu fosse muda e quando abrisse a boca não saia nenhum som . É como se eu quisesse tocar o céu por momentos mas não ser alta o suficiente para o fazer . Impotência que me consome como um veneno , vicia como uma droga e me queima como um poço lava. Impotência, aquilo que me tira todas as capacidades que poderia ter adquirido em toda a vida. Impotência, que em conjunto com a dor e a saudade me deixam sem fala. Me deixam sem sentidos. Inútil , inútil é o facto de tentar mudar todas as coisas que sei que são meras cicatrizes saradas na minha pela, mas cuja costura atingiu o interior do meu corpo e a força com que a agulha foi espetada deixou uma hemorragia interna .

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